Frete grátis não é caro nem barato — é caro em alguns pedidos e barato em outros. O mesmo pedido de R$ 150 pode dar lucro no Sudeste e prejuízo no Norte, porque o frete muda por região e por CEP. Quem aplica a regra linear ("grátis acima de R$ X para todo o Brasil") não vê os pedidos deficitários — eles somem na média. A decisão certa sai do lucro real por pedido.
Você ativou frete grátis acima de um valor mínimo porque todo mundo faz, o carrinho passou a converter melhor e o faturamento subiu. Só que o lucro não acompanhou. A conta parece simples — "o frete grátis paga a si mesmo em volume" — mas ela esconde uma armadilha geográfica: o mesmo pedido custa preços de frete completamente diferentes dependendo de para onde ele vai. E a sua regra de frete grátis é uma só, igual para o país inteiro.
O frete pesa mais do que a média deixa ver
A recomendação clássica é manter o frete abaixo de 10% do valor do pedido (Estoca). O problema é que "10%" é uma média — e média some com o que importa. Um levantamento citado pelo Mundo Logística (dados Melhor Envio / ABComm) mostrou lojistas gastando em média R$ 27 por cliente com envio, para um ticket médio de R$ 460. Na média, são ~6%. Mas dentro dessa média cabe um pedido de R$ 90 com frete de R$ 30 (33% da venda) e um pedido de R$ 800 com frete de R$ 25 (3%). O primeiro te dá prejuízo; o segundo carrega o relatório. Você olha o consolidado e dorme tranquilo.
A conta que muda a cada CEP
Frete no Brasil é geografia pura. O custo de mandar a mesma caixa de um centro de distribuição no Sudeste para uma capital vizinha ou para o interior do Norte pode dobrar ou triplicar — mesmo peso, mesmo produto, mesma nota. Quando você aplica "frete grátis acima de R$ 199" para o país inteiro, está subsidiando um valor fixo contra um custo que varia por região. O resultado é previsível:
- No Sudeste, perto do estoque, o frete grátis sai barato e o pedido segue lucrativo.
- No Norte e Centro-Oeste, o mesmo pedido chega com frete que come toda a margem — e às vezes vira prejuízo líquido.
- Em pedidos de ticket baixo, que mal passam do valor mínimo, o subsídio pesa mais que a própria margem do produto.
Por que você não pode simplesmente cortar o frete grátis
Porque o frete é, ao mesmo tempo, o seu maior custo escondido e o seu maior motivo de abandono. Não é escolha entre subsidiar ou não — é escolha entre subsidiar com pontaria ou no escuro. Os dados sobre abandono são consistentes: os custos extras (frete, taxas e impostos) aparecem de forma recorrente como o principal motivo de carrinho abandonado nos estudos do Baymard Institute. No Brasil, o cenário é ainda mais pesado: o Panorama da Gestão Logística no E-commerce (Frete Rápido + nstech, via CNDL/Varejo S.A.) aponta o custo do frete como causa de abandono em 51% das lojas.
Do lado do consumidor, a expectativa virou regra: pesquisa do Dia do Frete Grátis mostra que o valor do frete é fator de decisão de compra para 57% dos brasileiros, e a CNDL/SPC Brasil registra que 51% dos consumidores nunca pagam mais para receber mais rápido. Ou seja: tirar o frete grátis derruba conversão. Mantê-lo linear derruba margem. Só sobra um caminho — subsidiar onde dá lucro e recuar onde dá prejuízo.
O erro é decidir pela média, não pelo pedido
A raiz do problema não é o frete grátis. É a régua única aplicada a uma realidade que não é única. Quando o painel te mostra "margem média de 22%", ele fundiu num só número o pedido que rendeu 40% (Sudeste, ticket alto) com o que rendeu -8% (Norte, ticket baixo, frete subsidiado). Você nunca corta o segundo porque nunca o vê separado. A decisão de frete grátis é, no fundo, uma decisão de margem por pedido — e margem por pedido depende de produto, taxa de marketplace, imposto e, principalmente, frete por CEP.
Fazer isso na planilha é inviável: seriam milhares de linhas cruzando cada pedido com o custo de envio real, a margem do produto e a região de entrega, todo dia. Quando a planilha fica pronta, o mês já fechou e o dinheiro já saiu.
Como decidir frete grátis olhando o lucro real
A pergunta certa deixa de ser "qual o valor mínimo de frete grátis?" e passa a ser "em quais pedidos e regiões o frete grátis ainda deixa lucro?". Com isso na mão, as ações ficam óbvias: faixas de frete grátis por região, um mínimo mais alto para o Norte e Centro-Oeste, e produtos de margem gorda podendo bancar frete grátis onde os de margem magra não podem. Nada disso é achismo — é o custo real do frete, pedido a pedido, virando regra de negócio.
É isso que a Diwalli faz: cruza cada pedido da sua loja com os custos reais — produto, taxas, imposto e frete — e mostra o lucro real por pedido e por região, ao vivo. Em vez de uma margem média que esconde o prejuízo, você vê o mapa: onde o frete grátis paga a si mesmo e onde ele está drenando o caixa a cada venda. Aí a régua deixa de ser um chute e passa a ser uma decisão.
Perguntas frequentes
Frete grátis dá prejuízo?
Qual é o peso do frete no e-commerce brasileiro?
O frete realmente faz o cliente abandonar o carrinho?
Como decidir a faixa de frete grátis sem perder margem?
O que é a Diwalli?
Veja onde o frete grátis dá prejuízo
A Diwalli cruza cada pedido com o custo real de frete e mostra o lucro por pedido e por região — não a média que esconde o buraco.