Quanto custa adquirir um cliente no e-commerce? CAC por vertical (e por que o "CAC bom" pode ser prejuízo)
O CAC do e-commerce varia por nicho — beleza ~US$110, moda ~US$90, alimentos ~US$75 — e subiu 40% a 60% desde 2023. A régua de saúde é a relação LTV:CAC ~3:1. Mas o número que importa não é o CAC do pixel: é o CAC comparado à margem real por pedido. Um CAC "baixo" pode ser prejuízo no caixa.
Todo dono de loja já ouviu que "está caro anunciar". A sensação é real e tem número por trás. Só que a pergunta certa não é quanto custa adquirir um cliente — é se esse custo cabe na margem que o pedido deixa. Um CAC que parece ótimo no gerenciador pode estar comendo todo o lucro no caixa. Vamos aos dados públicos primeiro, e depois ao que eles significam para a sua loja.
O que é CAC (e como calcular sem se enganar)
CAC é o custo de aquisição de cliente: quanto você gasta, em média, para conquistar um comprador novo. A conta básica é simples — pegue todo o investimento em marketing e vendas de um período e divida pelo número de clientes novos que ele trouxe. O erro clássico é misturar cliente novo com recompra: se você divide o gasto de mídia por todos os pedidos (inclusive os de quem já era cliente), o CAC aparece artificialmente baixo e você acha que está tudo bem quando não está.
CAC médio por vertical: os benchmarks de 2025-2026
Não existe um "CAC do e-commerce" único — ele muda conforme ticket, margem e ciclo de recompra do nicho. Consolidando benchmarks recentes, a média geral fica entre US$68 e US$84, mas a variação por vertical é grande:
- Beleza e cosméticos — ~US$110. Ticket maior, concorrência feroz nos leilões e forte apelo de marca puxam o custo para cima.
- Moda e apparel — ~US$90. Categoria saturada, muita devolução e margem sensível ao desconto.
- Alimentos e bebidas — ~US$75. Entre os CACs mais baixos, porque a decisão de compra é de baixo risco e a recompra acontece naturalmente.
A leitura importante não é o número absoluto (em dólar, de mercados diferentes do nosso), e sim o padrão: nichos de recompra frequente e ticket baixo conseguem CAC mais barato, porque recuperam o custo em poucas compras. Nichos de marca e ticket alto pagam caro pelo primeiro pedido — e só fecham a conta se o cliente voltar.
Por que o CAC subiu 40% a 60% desde 2023
A conta não ficou cara por acaso. Três forças agiram juntas e elevaram o CAC do e-commerce entre 40% e 60% de 2023 para cá:
- Mais concorrência no leilão. Mais anunciantes disputando o mesmo público empurram o CPM e o custo por clique para cima.
- Saturação de público. Os criativos "cansam" mais rápido e o mesmo público é impactado à exaustão.
- Menos precisão de segmentação. As mudanças de privacidade da Apple (ATT) e o fim gradual dos cookies de terceiros tiraram sinal dos algoritmos — o que era mira fina virou aproximação.
O resultado é brutal quando se olha o retorno sobre o cliente novo. Uma pesquisa da SimplicityDX estimou que marcas chegam a perder US$29 em cada novo cliente adquirido — uma alta de 222% desde 2013, puxada justamente por CAC e devoluções. Traduzindo: em muita loja, o primeiro pedido de um cliente novo já nasce no vermelho. Ele só vira lucro se houver um segundo, um terceiro.
A régua de saúde: a relação LTV:CAC
Como saber se o seu CAC é saudável? Não olhando o CAC sozinho, e sim a razão entre o valor que o cliente gera ao longo da vida (LTV) e o custo para adquiri-lo. A referência de mercado é 3:1: cada R$1 de aquisição deveria devolver cerca de R$3 de valor. Abaixo de ~2:1, você provavelmente está crescendo no prejuízo; muito acima de 4:1, pode estar investindo de menos e deixando crescimento na mesa, como aponta a Shopify.
Reter é mais barato que só adquirir
Se o primeiro pedido muitas vezes empata ou dá prejuízo, o lucro mora na recompra — e ela é dramaticamente mais barata. Você já pagou o CAC uma vez; o segundo pedido não tem custo de aquisição novo. É por isso que mover a taxa de recompra alguns pontos costuma render mais que qualquer otimização de campanha: aumentar a fração de clientes que fazem a segunda compra eleva o LTV sem gastar um centavo a mais de mídia. Num cenário de CAC subindo 40-60%, a alavanca mais barata que sobrou não é comprar mais tráfego — é cuidar de quem já comprou e proteger a margem de cada pedido.
O ângulo que falta: CAC só significa algo contra a margem real
Aqui está o furo silencioso. O CAC que você vê no gerenciador é custo por venda atribuída — não custo por lucro. Ele não sabe o seu imposto, o frete que você subsidiou, a taxa do gateway, o CMV real daquele SKU nem a devolução que veio depois. Então "CAC de R$40" não quer dizer nada sozinho. A pergunta é: quanto aquele pedido deixou de margem?
Se o pedido deixa R$30 de margem real e o CAC é R$40, cada cliente novo custa mais do que entrega — mesmo com o pixel pintando um ROAS bonito. Se deixa R$120, um CAC de R$40 é excelente. O mesmo CAC é ótimo ou péssimo dependendo da margem do pedido — e a margem muda por produto, por cupom, por faixa de frete. Comparar CAC médio com margem média esconde exatamente os pedidos que sangram.
É isso que a Diwalli faz: cruza o gasto de mídia do Meta e do Google com a venda real e a margem de cada pedido da sua loja, já descontando imposto, frete, taxa e CMV. Em vez de um CAC de vaidade, você vê se cada real investido em aquisição volta como lucro no caixa — por campanha, por produto, ao vivo. Aí o benchmark deixa de ser curiosidade e vira decisão.
Perguntas frequentes
O que é CAC no e-commerce?
Qual é o CAC médio por vertical no e-commerce?
Por que o CAC subiu tanto desde 2023?
Qual é uma relação LTV:CAC saudável?
Por que um CAC "bom" no pixel pode ser prejuízo?
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A Diwalli cruza o gasto de mídia com a venda e a margem real de cada pedido e mostra se a aquisição volta como lucro — por campanha, ao vivo.